Meus versos,
Meus unguentos...



terça-feira, 6 de abril de 2010

Fogo da mesma brasa
Hóspedes da mesma casa
Bombas num só pavio.
O ódio explode e mata
O amor fica por um fio
Amor não mata mas finca estaca
No meu coração vazio.

Bazar


















fonte decoeuracao.com

Benza-me Deus
Meu coração é um bazar
Tudo que vejo e desejo ele quer guardar
Tudo que presta e não presta nele pode encontrar

Do ocre ao acre-doce
De acássias a cassis
De amores e rancores
Promessas, sentimentos vis

Benza-me Deus
Meu coração é um bazar
Tudo que vejo e desejo ele quer guardar
Tudo que presta e não presta nele pode encontrar

Desde luva, fivela, vento,
Vela, flanela, algodão.
Desde calça, calcinha, cinto,
Santo, sapato, alçapão.
Desde tambor, cal e cimento
Casa, cadeira, colchão.
Coisa do tipo esquecimento,
Sofrimento então!

Benza-me Deus
Meu coração é um bazar
Tudo que vejo e desejo ele quer guardar
Tudo que presta e não presta nele pode encontrar

Desde panela, plug, canela,
Tijolo, tigela, latão.
Uma lua de lantejoula,
Um relógio de segunda mão.
Desde enfeite de geladeira
À lembranças impressas no prato.
Desde a alegria de um livro novo
À lembrança num porta retrato.

Benza-me Deus.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Sentidos


Açucar do fundo
Mascavo sem fim
Acre pele sal sândalo pêssego
Cheiro que não acaba
Gosto que não termina
Menta manacá avenca
Resquício de sabonete e gasolina
Cheiro que embriaga
Pêlo chuva sexo axila
Fundo que não tem fundo
Sabor que guarda o mundo
Explosão de vida infinda
Azedo amaro manga
Flor no meu nariz
Na minha boca
Na minha alma
Na minha língua...

sexta-feira, 12 de março de 2010

Um poeta
























Corta o vazio como cortasse os pulsos,
Rasga-se à caça de si.
Flor aberta a ferro e fogo
a soco e faca.
Muitas vezes encontra o nada.
Mas a sangue quente,
escalavra a palavra, lavra,
escalpela o que sente.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Sábado

O sábado cheirava a poliflor e pinho sol.
Escorria espesso na água de espuma liberta do tanque.
A vida corria macia sobre os jornais que cobriam o assoalho, agora encerado.
Depois da janta,
o menino encantava-se com notícias de outras vidas na sala de estar.
O mundo ficava imenso com a casa limpa.                                               

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

                                          
Ser só
Sozinho
Ser sem ninguém
Passarinho solto na tarde infinita
Ser sem seu ninho
Sem saber rumo
Voa desatino
Voa desaprumo
Voa sem destino
Quando a noite cai.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O menino e o Poeta





"...Se um dia tudo for embora
resta o menino em sua tela
onde a vida de tão bela
parece pintura

onde a altura do sonho
é abrir a janela
onde eternamente o tempo espera
e a canção infinita
se declara..."