Meus versos,
Meus unguentos...



segunda-feira, 3 de maio de 2010

O que cabe no pensamento

O pensamento revira o tempo,
revira tudo o que passou.
O que não cabe no pensamento, é esquecimento,
vida que não vingou.

(galeriaaberta.com/eduardo patarrão)

Motivo

(fonte inspiradora: Cecília Meireles)

A canção aflita me acena
com suas asas esbodegadas.
Por isso canto,
porque ilusão também é vida
e nada que existe me completa.
Canto porque o instante necessita
e sou tão alegre quanto triste.
Serei poeta?

Onde mora o Amor

(letra na esperança de ser um samba)

Quem sabe do amor, namora.
Quem não sabe sai à procura.
A noite é a casa da aurora,
A casa do amor é a aventura.

O rio é a casa da água,
Da mágua, o coração.
Amor em qualquer canto deságua,
Numa flor ou numa canção.
Em qualquer canto mora o amor,
Num palácio ou num barracão,
Mas debaixo de sete chaves
O amor mora mais não.

A casa da água é o rio,
Do frio, a solidão.
Quem tranca o amor no peito
Faz o ninho perfeito para desilusão.
Mas quem traz o amor para o leito
Navega sem saber direito
Onde vai dar a embarcação.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Fogo da mesma brasa
Hóspedes da mesma casa
Bombas num só pavio.
O ódio explode e mata
O amor fica por um fio
Amor não mata mas finca estaca
No meu coração vazio.

Bazar


















fonte decoeuracao.com

Benza-me Deus
Meu coração é um bazar
Tudo que vejo e desejo ele quer guardar
Tudo que presta e não presta nele pode encontrar

Do ocre ao acre-doce
De acássias a cassis
De amores e rancores
Promessas, sentimentos vis

Benza-me Deus
Meu coração é um bazar
Tudo que vejo e desejo ele quer guardar
Tudo que presta e não presta nele pode encontrar

Desde luva, fivela, vento,
Vela, flanela, algodão.
Desde calça, calcinha, cinto,
Santo, sapato, alçapão.
Desde tambor, cal e cimento
Casa, cadeira, colchão.
Coisa do tipo esquecimento,
Sofrimento então!

Benza-me Deus
Meu coração é um bazar
Tudo que vejo e desejo ele quer guardar
Tudo que presta e não presta nele pode encontrar

Desde panela, plug, canela,
Tijolo, tigela, latão.
Uma lua de lantejoula,
Um relógio de segunda mão.
Desde enfeite de geladeira
À lembranças impressas no prato.
Desde a alegria de um livro novo
À lembrança num porta retrato.

Benza-me Deus.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Sentidos


Açucar do fundo
Mascavo sem fim
Acre pele sal sândalo pêssego
Cheiro que não acaba
Gosto que não termina
Menta manacá avenca
Resquício de sabonete e gasolina
Cheiro que embriaga
Pêlo chuva sexo axila
Fundo que não tem fundo
Sabor que guarda o mundo
Explosão de vida infinda
Azedo amaro manga
Flor no meu nariz
Na minha boca
Na minha alma
Na minha língua...

sexta-feira, 12 de março de 2010

Um poeta
























Corta o vazio como cortasse os pulsos,
Rasga-se à caça de si.
Flor aberta a ferro e fogo
a soco e faca.
Muitas vezes encontra o nada.
Mas a sangue quente,
escalavra a palavra, lavra,
escalpela o que sente.