Meus versos,
Meus unguentos...



segunda-feira, 29 de março de 2010

Sentidos


Açucar do fundo
Mascavo sem fim
Acre pele sal sândalo pêssego
Cheiro que não acaba
Gosto que não termina
Menta manacá avenca
Resquício de sabonete e gasolina
Cheiro que embriaga
Pêlo chuva sexo axila
Fundo que não tem fundo
Sabor que guarda o mundo
Explosão de vida infinda
Azedo amaro manga
Flor no meu nariz
Na minha boca
Na minha alma
Na minha língua...

sexta-feira, 12 de março de 2010

Um poeta
























Corta o vazio como cortasse os pulsos,
Rasga-se à caça de si.
Flor aberta a ferro e fogo
a soco e faca.
Muitas vezes encontra o nada.
Mas a sangue quente,
escalavra a palavra, lavra,
escalpela o que sente.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Sábado

O sábado cheirava a poliflor e pinho sol.
Escorria espesso na água de espuma liberta do tanque.
A vida corria macia sobre os jornais que cobriam o assoalho, agora encerado.
Depois da janta,
o menino encantava-se com notícias de outras vidas na sala de estar.
O mundo ficava imenso com a casa limpa.                                               

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

                                          
Ser só
Sozinho
Ser sem ninguém
Passarinho solto na tarde infinita
Ser sem seu ninho
Sem saber rumo
Voa desatino
Voa desaprumo
Voa sem destino
Quando a noite cai.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O menino e o Poeta





"...Se um dia tudo for embora
resta o menino em sua tela
onde a vida de tão bela
parece pintura

onde a altura do sonho
é abrir a janela
onde eternamente o tempo espera
e a canção infinita
se declara..."

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Deus



Após dias e dias de intensa chuva e ausência de sol,
ouvia-se a voz de meu avô,
sonora como um trovão
 em seu sotaque italiano:

" Levanta geral no tempo"

Minutos depois o céu se abria
 e o dia se iluminava sobre a casa amarela.

....Eu pensava que meu avô era Deus.

O rio

O rio vem de longe
trazendo memórias.
No meu peito perde o leito,
sai do curso,

se esquece no mar...