Meus versos,
Meus unguentos...



sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Caquizeiro

A tarde era imensa sombra debaixo dos caquizeiros
No abandono o menino fazia planos
De repente chusma de borboletas azuis e duas amarelas
Eufórico e afônico
o menino gritava pra ninguém:
Ali elas, ali elas...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Eu


foto Diego Zanotti
 Loucos e lúcidos me habitam
Sou de opostos
Excesso e carência
Treva e luz
Carne e aço
Minha razão moinho de vento
Meu coração pedra mó
Com pedaços de tantos me faço
Mas no fundo sou eu só

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Gravidade

foto Diego Zanotti
                                                    O menino que eu era
                                                    era sem lei...
                                                    tanto sonhava
                                                    tanto sonhou
                                                    um dia pisou no vento
                                                    voou

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Dolente

Mugiu, mugiu
Berrou, gemeu, bramiu
e a tarde caiu no breu
Mugido do boi na grota dói
meu coração doeu
Na mão do pai o adeus
Amor de mãe nos olhos meus
Um dia eu volto meu boi
Quando, só sabe Deus
O mundo é vasto
Pasto à revelia
O tempo gasto não se arreia
Desbasto à foice a solidão
Se viver é pastar eu pasto
até não mais restar sangue na veia

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Catavento


foto Diego Zanotti
 A tarde escarlate
Seda azul
Estrela da sorte
Esmalte da noite no céu de junho
Redemunho de versos
no canteiro das flores
As cores se abrindo
no catavento do tempo
O tempo girando
no caderno do dia
O dia comendo páginas
no cataclismo das horas
As horas morrendo na boca da noite
A noite caindo no vértice da tarde
tudo parte sem dó
meu coração sem rumo.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Rua

Foto: Diego Zanotti














A rua é trôpega sob meu sapato sem calço
Tropeço cambaleio e caio
A calçada cinza se estende
Extenso rio de pedra
Cheia de vida sem esperança

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Coração Dim Dom

Um sonho
uma festa
velas e candelabros numa noite de novembro
candeeiro aceso meu coração dim-dom
piano suave soturno embalando taças
da mesa à boca
da boca à mesa
da mesa ao universo perdido em idéias
o vinho girando a cabeça embriagada de sua presença
o cheiro de pele lavada a sabonete
a lua doida redonda
belas luas nuas andando pela casa
o olhar bandido atravessando a sala triste
as portas escancaradas
e a vidraça do meu peito estilhaçada
o abrigo incerto das mãos de unhas retas
pés impecáveis a pisar o tapete e o meu coração dim-dom
num bordão dizendo vem
e eu em falsete gritando não.